Por Aline Rodrigues, Derick Almeida, Diego Pontes e Mayara Martins
Preços acessíveis fazem as vendas dos camelôs subirem e dão prejuízo a lojas convencionais

Crédito da Foto: G1
O novo Windows 7, lançado oficialmente no último dia 22 de outubro, veio para substituir o Windows Vista, programa que não rendeu nas vendas e foi pouco aceito pelo público. Porém, várias barracas de camelôs já comercializavam o produto um mês antes da data de lançamento oficial.
O preço do Windows 7 no comércio informal é de R$ 10 a R$ 20. O contraste de preço já é grande quando se observa o preço do software mais simples que está à venda: a versão Basic, que custa R$ 300. Já a versão mais cara, a Ultimate, custa em torno de R$700. Essa diferença de preço pode explicar porque as vendas no comércio ilegal são tão grandes, como explica o analista de sistemas Douglas Di Giorgio: “O prejuízo é imenso. Um software é vendido por R$250,00 a R$ 350,00. Já o software pirata é R$ 10,00. Já vi muitas empresas serem fechadas por não ter mais como manter seu estabelecimento”.
O setor de produtos multimídia de uma das filiais da Livraria Saraiva, localizada em Higienópolis, por exemplo, destaca que a venda do recém-chegado Windows 7 teve queda logo após os primeiros dias de forte comercialização. Além deste dado, Leandro, funcionário da rede varejista que não quis se identificar, destaca que o público interessado em comprar o software original é “composto por pessoas maduras, formadas, mais especificamente por empresários da região”, o que evidencia que a maioria dos jovens, por não possuir uma vida financeira independente e estável, acaba por consumir programas falsificados.
O estudante de publicidade André Bishoff da Cruz, 22 anos, comprou uma versão pirata do sistema operacional de um camelô da zona leste pelo preço de R$10. Segundo ele, os fatores que predominaram na hora de escolher entre um Windows 7 original ou falsificado foram o preço e a finalidade de uso. “Eu até pensei em comprar o original pelo preço que estava, pois achei que era barato se comparado ao do XP na sua época de lançamento (cerca de R$ 1.000). Mas estava sem grana neste mês” – comenta – “para o uso que eu faço, doméstico, acho que não tem necessidade de ter um original”. Já Guilherme Oliveira Goriel, 19 anos, também estudante de publicidade, é enfático quanto ao motivo que o levou a adquirir uma cópia pirata com um amigo. “O preço. É um absurdo o valor do original! Pode-se conseguir bem mais barato em qualquer camelô. E vai funcionar igual”.
De fato, as diferenças entre o software genuíno e o falso são mínimas. Todos os recursos da versão original estão presentes na pirata, com a exceção das atualizações oferecidas via internet pela Microsoft. É o que explica o técnico em informática Brian Carravieri. “A grande vantagem do Windows 7 original, assim como qualquer outro Windows original, são as atualizações automáticas. São elas que mantém o programa vivo ao disponibilizar atualizações vitais de segurança para o sistema operacional”.
A Microsoft, ainda a maior fabricante de softwares na área da informática, perdeu espaço ao longo dos últimos dez anos para empresas como a Apple. A corporação também perdeu mercado por conta do fracasso de vendas e insatisfação que representou o Windows Vista. As pré-encomendas do novo sistema operacional ultrapassaram as vendas de seu antecessor durante os primeiros três meses. “Trata-se do primeiro lançamento realmente significativo do Windows em uma década,” disse o analista Brendan Barnicle, da Pacific Crest Securities, à Reuters Television.
Por enquanto, o aumento nas vendas não deve impulsionar positivamente os números da empresa. A Microsoft anunciou, no último dia 23, uma queda no lucro trimestral de 18%. Porém, este resultado já surpreendeu alguns analistas. O que pode acabar com a expectativa de melhora nas vendas da Microsoft são as atividades do comércio informal brasileiro, que já equivaliam em 2008, segundo estudo feito pela economista Gisele Ferreira Tiryaki, a 44,36% do PIB. Os ambulantes conseguem o programa através da internet, onde funcionários da própria empresa que desenvolve o produto lançam na rede. De acordo com Douglas, há grande número de sites voltados ao download de softwares na rede virtual. Após utilizar os devidos recursos para a gravação dos programas em mídias DVD e CD – geralmente comercializadas a R$1,00 -, os camelôs vendem os softwares falsificados a R$10,00 e prosperam com a ineficiência das autoridades brasileiras.
Há de se lembrar que pirataria é crime. O uso de software e programas originais é recomendável.
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