Tecnologias auxiliam deficientes visuais
Apesar das dificuldades, deficientes conquistam inclusão com auxílio de novas ferramentas
Por Mayara Martins
Computadores utilizados no Instituto Luiz Braille para ensinar o alfabeto represetam avanço na alfabetização de crianças.
Deficientes visuais, tanto aqueles com perda total da visão, como os que possuem visão subnormal, ou seja, aqueles com algum tipo de comprometimento de seu funcionamento visual; sofrem, além do preconceito, dificuldades para estabelecer comunicação com as demais pessoas e conteúdo produzido por elas. As dificuldades são muitas: ler livros, mandar e-mails, acessar a internet, redigir textos, manusear celulares e até realizar cursos pela web.
Inovações tecnológicas surgem com mais frequência atualmente, devido a estudos especializados na área. Todos os avanços que oferecem uma vida mais independente para essas pessoas são chamados de tecnologia assistiva.
Segundo José Carlos de Lima, vice-presidente do Instituto Jundiaiense Luiz Braille, que cuida da assistência aos deficientes visuais: “As novas tecnologias vêm facilitar a interação e a integração dos deficientes nos diversos segmentos sociais”. Um bom exemplo são os leitores que traduzem em áudio o conteúdo exibido na tela do computador e atualmente são produzidos com voz semelhante à humana, mais agradável ao ouvido.
Há também as lentes de aumento incorporadas na maioria dos computadores que utilizam Windows. Elas servem para aumentar o que é mostrado no visor, fator que facilita a visualização para pessoas que não enxergam detalhes muito pequenos.
Deficientes parciais
Além daqueles que perderam toda a visão ou já nasceram com deficiência visual total, há os que no decorrer da vida perdem parcialmente a vista, por motivos como diabete, catarata, glaucoma ou degeneração relacionada à idade. Do contrário do que se imagina, essa parcela dos deficientes visuais também sofre com a falta de acessibilidade à informação e inclusão perante a sociedade, e necessita de novos dispositivos para interagir com o restante da população.
De acordo com Minoru Nagahashi, gerente de informática da Fundação Dorina Nowill para Cegos e deficiente visual, a cidade de São Paulo “não foi pensada para pessoas com deficiência. Por isto as dificuldades vão desde atravessar a rua com segurança até conseguir se locomover com independência pela cidade” – conta.
São considerados deficientes parciais, os indivíduos que enxergam em um campo de visão abaixo de 20% no melhor dos olhos e segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, calcula-se que no Brasil, mais da metade dos deficientes visuais, tenham a visão subnormal. Portanto, eles precisam tanto de adaptações como os deficientes totais.
Uma das iniciativas recentes, foi a criação de uma prancha acoplada a uma lupa, criada por pesquisadores da Bonavision Auxílios Ópticos, empresa ligada a Universidade de São Paulo (USP). O produto proporciona conforto aos leitores, uma vez que mantém fixos o foco e a linha de leitura, sendo necessário que apenas o anel deslizante seja movido no sentido horizontal, ou então o trilho metálico no sentido vertical. Além disso, a inclinação de 45 graus reduz o esforço da coluna e tronco durante a leitura.
Há também um aparelho, o CCTV (Circuito Fechado de Televisão), que consiste numa lupa que aumenta em até 60 vezes imagens e letras e as exibe em uma tela eletrônica, auxiliando na leitura e estudo de textos, na escrita, na análise de mapas, entre outras coisas.
Felipe Leão Mianes, graduado em História, é deficiente visual e fala sobre a difusão destes novos meios: “É de certa forma boa, ainda que seja bem efetuada dentro de certos grupos específicos, principalmente nas grandes cidades e para aqueles que procuram saber um pouco mais sobre o tema”.
Deficientes totais
Para pessoas com cegueira total, existe já há algum tempo, uma impressora que gera documentos em Braille. Porém, essa ferramenta promovia uma espécie de isolamento da comunidade cega, por se tratar de uma linguagem muito específica deste grupo.
Pensando em tais problemas, estudiosos da Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolveram um sistema chamado Dosvox, funcional na maioria dos computadores, que estabelece comunicação entre homem e máquina, não apenas se utilizando da tradução literal. Seu grande diferencial é ser totalmente em português.
De acordo com José Carlos, são oferecidas diversas opções no mercado e de acordo com o poder aquisitivo do deficiente, muitas são acessíveis. Ele afirma que além dos softwares leitores de tela para uso em computador, há outros disponíveis: “Existem relógios que são precisos e falam as horas, aparelhos celulares com comando de voz, que lêem a agenda do aparelho, realizam discagem e informam dados perdidos”. Além disso, o vice-presidente do Instituto Jundiaiense Luiz Braille, frisa que embora sejam poucas as marcas de impressora Braille, elas estão se modernizando ao imprimir em dupla face, facilitando a leitura de desenhos e mapas.
Felipe fala das melhorias trazidas por novos aparelhos: “Se antes era muito difícil para um deficiente visual ter acesso a jornais, revistas e filmes, por exemplo, hoje em dia esta situação teve uma sensível melhora com o desenvolvimento de softwares e lentes específicas para que estas pessoas possam ter esse acesso mais facilmente garantido.” afirma.
Há, em andamento, outros projetos, mas, todos estrangeiros. O B touch é um celular desenvolvido com tela touch screen em Braille e sistema de reconhecimento de voz. Com o celular, desenvolvido por Zhenwei You, é possível até mesmo ler livros: ao passá-lo sobre a página, este a escaneia e a converte para Braille. Nossa equipe não conseguiu informações sobre o lançamento do aparelho no Brasil.





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